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Os subúrbios continuam marginalizados

O projeto de construção do estádio do Corinthians em Itaquera, região leste da Grande São Paulo, me fez pensar se realmente, a periferia está preparada para abrigar tal monumento.

Como moradora de um bairro carente da cidade, tive a oportunidade de observar suas mudanças de perto. Com o passar dos anos, pude perceber que ocorreram alguns investimentos em parte de infraestrutura, mas nenhuma transformação profunda. Em comparação com redutos nobres da cidade, os subúrbios continuam marginalizados, sujos e sem capacidade física para receber tantas pessoas.

Quando se descobre que a classe C e D é uma potência consumidora, toda a iniciativa privada se mobiliza para inserir comércios e tirar proveito da situação, o que em todo caso não pode ser considerado como algo ruim, mas e quanto às ações realizadas pelo poder público para as melhorias dessas regiões?

Onde estão os avanços no transporte, no saneamento básico, na saúde, na educação e na cultura? A periferia é uma mina de ouro aos olhos de investidores, mas continua sendo esquecida pelas políticas públicas e sociais. Uma prova disso é a escassez de locais onde as pessoas possam trocar ideias, receber aulas, qualificações e ampliar seus conhecimentos.

As pessoas que aqui vivem não param, assim que as ações que deveriam tratar de melhorar as condições de vida de todas não deveriam cessar.

Para onde foram as cartas?

Sempre considerei a importância de se expressar. Desde criança, eu escrevia em cadernos sobre algo que me irritava ou que me deixava feliz. Com o passar dos anos e com o avanço tecnológico, passei a desenvolver meus pensamentos via internet. A tecnologia em certo ponto, me favoreceu nesse sentido. Hoje, as pessoas criam blogs e escrevem o que querem, isso é extremamente importante, pois não devemos calar a voz do povo. Mas até que ponto isso é algo positivo? Eu gosto de escrever no papel, de ter algo impresso para guardar como recordação, porém sinto que todos nós esquecemos do valor sentimental que uma carta escrita a mão tem.
O antigo, as lembranças boas e o papel de carta são tão necessários quanto os gadgets high tech. Já parou para pensar a quanto tempo não recebe uma correpondência em seu nome que não seja comercial, ou de cobranças?